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Quando respirar não é tão simples assim
04/01/2013
Quando respirar não é tão simples assim
Jovem com grave doença pulmonar desde criança toma 13 remédios por dia, fica 15 horas no oxigênio e precisa de ajuda financeira para comprar suplementos alimentares a fim de sobreviver
» MARIANA LABOISSIÈRE
Com 33kg, três abaixo do seu peso normal, ele transmite ainda mais fragilidade que outrora, mas o sorriso no rosto continua ali e ilumina o semblante do bravo guerreiro. Protagonista de uma história que ganhou as páginas do Correio em 2010 (veja ao lado), Lucas Neres Pereira, 15 anos, luta desde o nascimento por algo que parece mais dele do que de outros: a vida. A saga pela sobrevivência publicada no jornal confirma a vocação do garoto, diagnosticado com uma grave doença pulmonar: batalhar pela felicidade.
Morador do Arapoanga, bairro de Planaltina, o menino, que já fala como um homem, convive com remédios, balas de oxigênio e idas frequentes ao hospital. Mesmo assim, não foge do universo adolescente quando fala de videogames, brincadeiras com pipas e o sonho de ter uma vida normal.
Lucas vive com apenas um dos pulmões, funcionando com um quarto da capacidade. Mas não desiste. Ele conta que quer ser policial quando crescer, mas sabe que para isso tem de estudar até se formar. "Vejo o policial como um defensor do bem, mas sei que terei de me esforçar bastante. Gosto de fazer o bem", menciona. Aluno dedicado, conseguiu passar para o 7º ano no terceiro bimestre e se preocupa quando perde aula devido às crises.
Pensão
Atualmente, Lucas e a mãe, Irani Neres Santana, 38 anos, moram com a avó e se sustentam com a pensão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), paga ao menino. O dinheiro é escasso para cobrir todos os gastos. Com a evolução da doença, os ossos de Lucas acabaram comprometidos. Em 2011, os médicos o diagnosticaram com artrite reumatoide reativa. O resultado foi mais um remédio para a lista de Irani. Em agosto, o garoto chegou a ser internado por 18 dias. Durante oito deles, nem sequer conseguiu andar.
Desde então, faz tratamento com sulfassalazina, com quatro comprimidos ao dia. A substância tida como quimioterápica, no entanto, é forte demais para o adolescente, que sofre com efeitos colaterais. "Ele fica enjoado e não tem vontade de se alimentar direito. Emagreceu e está a um passo da inanição crônica", pontua a mãe.
Diante de mais um obstáculo, Irani foi instruída por um médico a comprar dois complementos alimentares para o menino. Em um mês, são precisos R$ 621, 70 para manter a dieta. Isso sem contar o restante dos 13 medicamentos. "Dia 10 agora não teremos mais dinheiro para arcar com os complementos, então não sei como faremos", angustia-se. Mesmo assim, Lucas se agarra a Deus. "Estamos na perseverança, na busca. Na hora certa, Deus vai agir, aliás, no meu caso há muito tempo ele vem agindo", reforça.
Milagre
A maratona pela saúde começa na madrugada, a 1h, quando Lucas toma o primeiro medicamento dos 13 prescritos para um dia de tratamento. Segundo Irani, a dedicação ao filho, desde a descoberta da bronquiolite obliterante, tem que ser exclusiva. "Os médicos achavam que ele não ia durar muito e ele está aí. Para mim, é um milagre", sugere.
A batalha pela perseverança começou cedo para a mãe, quando o pequeno tinha pouco mais de um mês de vida e se cansava ao respirar.
Foi somente após uma segunda visita ao centro de saúde que Irani descobriu as lesões nos dois terços do pulmão esquerdo do filho. Depois disso, foram 60 dias de internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional da Asa Sul (Hras) e mais dois meses de observação na mesma instituição.
A tão aguardada chegada ao lar demorou tempo demais para Irani. O ano de 1998 já estava no final quando isso aconteceu e, nessa época, ela tinha poucas respostas quanto à possibilidade de cura do filho. Na ocasião, Lucas chegava a tomar 11 remédios por dia.
Ele tinha apenas um ano quando fez a primeira cirurgia. "Retiraram um pedaço do pulmão esquerdo e mesmo assim ele não melhorou", relata Irani. Aos 7 anos, extirpou o órgão de vez. Crises renderam novas internações e o aparecimento de hipertensão arterial pulmonar.
A deformidade toráxica é uma das maiores preocupações da mãe. Irani conta que a anatomia avantajada do peito do garoto atrapalha avaliações precisas do coração, que, segundo ela, está deslocado. "O coração dele não está no local correto e os médicos não conseguem ouvi-lo direito por causa do pulmão", imagina ela. O filho tenta explicar com bom humor o que acontece: "Meu coração só foi andar um pouquinho, nada demais."
Para ajudar/ Lucas precisa de dinheiro para comprar complementos alimentares e medicamentos. Telefone: 9299-6811.
Fonte: Cofen.com
Imagem: Cofen.com